HIV: Positivo

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HIV: Positivo

Mensagempor Psicóloga em 01 Jul 2009, 17:37



"Receber resultado positivo do HIV é quase sempre um acontecimento traumático. Depois do choque inicial, seguir-se-á uma fase de indiferença e negação, que dará lugar a acessos de ansiedade, raiva e, por fim, culpa e depressão. Após este processo, que poderá demorar meses, a pessoa estará preparada para integrar e lidar com as limitações decorrentes da doença, adquirindo um novo sentido para a sua vida. Os efeitos da mesma atingem todas as áreas: conjugal, familiar, social e laboral. Nos últimos tempos tem-se registado um crescimento acentuado em termo de novos casos de infecção por relações sexuais heterossexuais. E a tendência é para aumentar. Na Europa Ocidental, Portugal é o país que regista o maior número de portadores do HIV por milhão de habitantes. São cerca de 28 mil pessoas infectadas com o HIV/SIDA.

Vida sexual na doença:

A sexualidade é complexa e envolve processos cognitivos e afectivos, com várias expressões ao nível do comportamento e dos relacionamentos. As alterações no estado emocional dos portadores do HIV têm repercussões na sua sexualidade e respectivas práticas. Neste sentido, a vida sexual do seropositivo revela a sua maior ou menor capacidade de adaptação à doença. É desejável que o mesmo mantenha a actividade sexual e uma integração de medidas protectoras que impeçam a difusão do vírus. Contudo há quem, após o diagnóstico de HIV, coloque de lado a sexualidade. Esta perda de interesse pode dever-se a uma desmotivação geral em relação à vida; mas pode também dever-se a um sentimento de corpo "sujo", que resultou de uma sexualidade "perigosa", potencialmente mortífera. Daí que o vislumbre de qualquer relação sexual/amorosa possa fazer reviver esse medo do perigo, levando à rejeição do parceiro sexual, mesmo que este não seja seropositivo para o HIV. Há ainda o receio de contaminar o parceiro, e um conjunto de ansiedades que podem tornar a relação sexual numa experiência dolorosa e a evitar. Ainda assim, este abandono da sexualidade pode ser temporário e retomado quando o estado de humor melhorar. Acresce que a diminuição dos impulsos sexuais pode também dever-se aos efeitos secundários dos medicamentos para a saúde física e/ou mental.
No extremo oposto há as pessoas que, quando se tornam seropositivas, passam a ter pensamentos sexuais persistentes, podendo mesmo enveredar por uma hiperactividade sexual. Os sentimentos de impotência ou depressão parecem ser ultrapassados pela frequência das relações sexuais. Há então uma necessidade premente de mostrar a si próprios (e aos outros) que, apesar de terem uma doença desta natureza, mantêm o vigor intacto (senão mesmo acrescido). Este tipo de comportamento encontra-se em pessoas com uma relação fixa, mas também nas que têm diferentes parceiros sexuais. E nestas condições nem sempre há a preocupação de utilizar preservativo, havendo o perigo de transmissão do HIV. A literatura científica descreve percentagens elevadas de pessoas que, depois de terem conhecimento de que são portadoras do HIV, mantêm relações sexuais desprotegidas, sem usarem preservativo nem informarem o parceiro sexual do seu estado de saúde. Neste ponto importa referir que a única forma que a ciência conhece hoje para impedir a contaminação pelo HIV é a utilização do preservativo. Este previne não só a contaminação de quem não está infectado, mas também novas infecções pelo HIV (reinfecções) ou de outras doenças sexualmente transmissíveis (co-infecções) que poderão acelerar o desenvolvimento da doença HIV.
Face à gravidade de haver pessoas portadoras do HIV que nem sempre utilizam preservativo, é importante conhecer os motivos de tal comportamento. A primeira razão prende-se com a dificuldade em revelar ao parceiro sexual, ou familiares, a doença - porque se tem a impressão de que não será aceite, que será censurado, abandonado ou rejeitado. Há também a vergonha e a culpa de ter contraído uma doença associada a drogas e a uma sexualidade marginal. O preconceito e o estigma social que recaem sobre a doença ainda são muito fortes. A segunda razão é a negação de estar infectado: sem sintomas, “esquece-se” que tem o vírus. Há uma dificuldade nítida em aceitar que se é portador do HIV e, como nega que tem qualquer problema, não opta por proteger o parceiro da possível contaminação. Estas pessoas evitam frequentemente os médicos e os medicamentos que poderiam ajudá-las a manter uma boa qualidade de vida; só procuram os cuidados de saúde quando estão muito doentes e sem hipóteses de continuar a negar a doença. Uma terceira razão, defendida por vários estudos realizados nesta área, sugere que estados emocionais negativos (como a depressão, ansiedade e hostilidade) estão relacionados com práticas sexuais de alto risco entre mulheres e homens seropositivos e que os que mantêm relações sexuais desprotegidas têm maior tendência para a depressão do que os que praticam sexo seguro.
Sabe-se hoje que há uma forte ligação entre o abuso de substâncias e os continuados riscos sexuais. Abuso de álcool e drogas ilícitas (heroína, cocaína, ecstasy, etc.) está frequentemente associado a comportamentos sexuais desprotegidos. Sob o efeito das drogas, a capacidade de negociar a utilização do preservativo fica comprometida devido à alteração de consciência e a uma maior desinibição nos comportamentos sexuais.

Preservativo obrigatório:

Perante uma maior dificuldade em aceitar e lidar com a doença, a intervenção do psicólogo clínico, ou de um outro técnico de saúde mental, pode ser de extrema importância para ajudar o doente a ganhar maior esperança no futuro. Só a adopção de comportamentos sexuais seguros, visando a protecção do próprio e de com quem se relaciona sexualmente, permite relações mais sólidas e afectivas.
Não há fórmulas mágicas nem imediatas para saber se o parceiro sexual é portador do HIV ou de qualquer outra doença sexualmente transmissível. Por isso, o preservativo deverá ser sempre usado numa relação sexual onde se desconhece o estado de saúde do parceiro e colocado antes do início da penetração ou quando se pratica sexo oral (está demonstrado que o contacto com esperma infectado pode transmitir o HIV). Nesta, como noutras doenças, mais vale prevenir do que remediar."

Fonte: Dr. Luís Nascimento, publicado na revista Psicologia Actual, n.º 1, Março 2006, págs 68-70


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