És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

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És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Sou contra.
1
13%
Sou a favor.
7
88%
 
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És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Angel/Devil em 18 Out 2008, 07:56

És a favor ou contra a legalização das drogas leves?
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor JoaoMineiro em 18 Out 2008, 09:28

A Favor
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Bombom Tii em 18 Out 2008, 18:23

A favor, das leves.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Pombo em 12 Nov 2008, 15:52

Não só das leves, como também das duras!
Porque acho que assim, o Estado poderia vendê-las aos consumidores.
Vantagens:
- Estado vendedor, logo traficantes praticamente deixariam de existir;
- Salas de chuto gratuitas e limpas, com troca de seringas por novas.
- Nas salas de chuto, controlo de doenças de infecto/contagiosas, além de consulta médica, preventiva do uso de drogas.
- Drogas sintéticas seriam também comercializadas pelo Estado, sendo o uso controlado por laboratórios próprios.
- Estado venderia drogas leves, sob controlo periódico médico, em estabelecimentos como as prisões. Fins medicinais.
- Fim das proibições de fumar publicamente, bares, restaurantes, etc drogas leves, mediante limite de uso pessoal diário.
- Número de dependentes de drogas melhor controlado e aconselhado.
- A Justiça não teria de assumir o encargo Estatal de tratamento, em caso de a pessoa querer livrar-se da dependência. Mas todo o Apoio psíquico seria gratuito, tal como o acesso às clínicas de recuperação.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor corema em 12 Nov 2008, 20:46

Eu sou contra.

Sou a favor de se investir na prevenção, no tratamento dos toxicodependente, na perseguição a quem trafica e na sua punição adequada.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor JoaoMineiro em 12 Nov 2008, 22:37

Consumires cannabis não é ilegal, o que é ilegal é andares com determinada quantia contigo
Isto na teoria é assim na prática não


Para quem é a contra eu só digo o seguinte:

Estudos comprovam que os produtores de cannabis começam já a fazer modificações na planta no sentido de o consumidor ganhar mais dependencia.

Existe uma enorme, mas muito enorme diferença ente: Legalização das drogas leves, e liberalização do consumo das drogas leves, as pessoas é que não querem ver isso e mais...

Estudos mostram que o consumo de cannasbis por um lado não leva ao consumo de outras drogas pesadas e por outro desicentiva o consumo de outros vicios como tabaco e o alcool

Hipocrita é estar-se na boa com o alcool e o tabaco e apotar-se o dedo a quem fuma charros, o alcool faz dez vezes pior, eu tenho em casa uma pessoa dependente de alcool e podem tera certeza que é mil vezes pior que uma pessoa que fuma charros, porque a cannabis dá menos dependencia do que o tabaco, porque leva menos.

Já nem falo dos fins medicinais e...

do facto de os jovens colocarem no mesmo saco, charros, acidos e LSD, a cultura do probicionismo da cannabis levou à generalização das drogas quimicas que são mil e uma vezes piores que as leves.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Bombom Tii em 12 Nov 2008, 22:57

Eu sou na maior parte contra, inclusivé nas pesadas, não têm mesmo noção o que é tomar um ecstasy ou um LCD, porque se tivessem não seriam a favor, é horrivel ver uma pessoa que gostamos, sem saber o que está a fazer, andar a cambalear, chegar a bater nos pais para ter dinheiro, chegar mesmo ao fundo do poço e nós sem fazermos nada, essa mesma pessoa numa ultima vez qe consumiu droga morreu, pode-se dizer Viva as Drogas, Viva o ecstasy, morreu um rapaz de 22 anos, deixando uma mulher de 18, com um filho de qase dois anos qe era super pegado ao pai.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor corema em 13 Nov 2008, 10:34

JoaoMineiro escreveu:Consumires cannabis não é ilegal, o que é ilegal é andares com determinada quantia contigo


O consumo de droga não é crime, seja que droga for. Só podes ser criminalizado se possuíres contigo uma quantidade que seja considerada para vender. No caso do haxixe ou marijuana o limite são 5g. No caso das outras drogas não sei qual é a quantidade considerada para venda.

JoaoMineiro escreveu:Estudos comprovam que os produtores de cannabis começam já a fazer modificações na planta no sentido de o consumidor ganhar mais dependencia.


Há muitos anos que se manipula geneticamente a planta da marijuana. A maioria do haxixe e da erva que se vende em Portugal, é obtida a partir de plantas transgénicas, modificadas para produzir mais THC e consequentemente é mais forte do que o normal e provoc maior grau de adicção. Se por acaso alguma vez quiseres comprar sementes de canabis vas ver as centenas de estirpes diferentes que existem por manipulação.

JoaoMineiro escreveu:Existe uma enorme, mas muito enorme diferença ente: Legalização das drogas leves, e liberalização do consumo das drogas leves, as pessoas é que não querem ver isso e mais...


Claro que existe. O consumo já foi liberalizado há muito tempo. dantes era considerado crime consumir drogas, fossem elas quais fossem, agora não. Consumir não é crime, vender sim. Por isso mesmo é que existem estipuladas por lei as quantidades que podes ter contigo. Quando se fala em legalizaçõ das drogas leves, fala-se na possibilidade de existir venda legal, o que eu sou contra.

JoaoMineiro escreveu:Estudos mostram que o consumo de cannasbis por um lado não leva ao consumo de outras drogas pesadas e por outro desicentiva o consumo de outros vicios como tabaco e o alcool


Não é verdade. O consumo de canabis, em muitas situações leva ao consumo de outro tipo de drogas. Basta começares a conviver com uns quantos toxicodependentes e vais ver como todos eles começaram pelos charros.

JoaoMineiro escreveu:Hipocrita é estar-se na boa com o alcool e o tabaco e apotar-se o dedo a quem fuma charros, o alcool faz dez vezes pior, eu tenho em casa uma pessoa dependente de alcool e podem tera certeza que é mil vezes pior que uma pessoa que fuma charros, porque a cannabis dá menos dependencia do que o tabaco, porque leva menos.


Não concordo nada contigo. O alcool não faz 10 vezes pior que o canabis, depende do alcool e da quantidade consumida. Eu sei que o alcoolismo é gravissimo e tem de ser combatido, mas a verdade é que o alcoolismo não tem nada a ver com o consumo de drogas leves. Quase todos os seres humanos adultos consomem bebidas alcoolicas e fazem-no sem se tornarem alcoolicos. Já no caso das drogas não é bem assim. Além disso, se beberes uma cerveja ou fumares um cigarro, o teu estado de consciencia não se altera, continuas sóbrio. Se fumares um charro, ficas com uma grande moca, a não ser que já sejas de tal forma viciado que precisas de mais para ficar drogado. Aliás, beber um copo de vinho tinto, por dia, até é saudável. Fumar um charro não te faz bem a nada.

JoaoMineiro escreveu:Já nem falo dos fins medicinais e...


A utilização de THC para fins medicinais não é proibida. Existem uma série de remédios que possuem este princípio activo. O facto de a planta de canabis ter potenciais efeitos medicinais, não significa que seja qualquer parte da planta, nem em qualquer quantidade, nem consumido de qualquer forma. Fumar haxixe, não faz bem a nada, só faz mal. Por várias razões, entra as quais, o haxixe tem uma concentração de THC muito superior à que deve ser consumida, a forma de consumo não se adequa às propriedades deste canabinóide, entre outras... No caso da erva, o que é fumado são as cabeças da flor da planta feminina, que é a zona da planta com maior concentração de THC. Ou seja, a quantidade de alcaloide fumado é muito superior à quantidade que pode fazer bem. Além disso, as plantas que são utilizadas para produzir as drogas que se consomem em portugal são modificadas geneticamente para produzir ainda mais do que a planta selvagem. É o caso do skank por exemplo.

Não é verdade que o haxixe ou a marijuana não façam mal ou não provoquem adicção. Basta que perguntes a qualquer psiquiatra se não conhece casos de pessoas que desenvolvem patologias graves por causa desse consumo. Na forma e quantidade que são consumidos, os canabinoides, alem de provocarem adicção, são responsaveis por alterações do foro psicológico. Provocam fobias, psicoses graves, problemas esquisoides, potenciam a bipolaridade, são responsáveis a longo prazo pelo aparecimento de doenças neurodegenerativas graves, como o alzheimer, entre muitas outras coisas. Provocam por exemplo distúrbios de sono complicados. É muito frequente que um consumidor habitual, não consiga dormir sem fumar.

Por todas estas razões e mais umas tantas, que agora não tenho tempo de escrever, eu sou absolutamente contra a legalização das drogas leves.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Adinatha em 13 Nov 2008, 17:11

A favor ^^
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor JoaoMineiro em 13 Nov 2008, 18:23

Canábis desencoraja consumo de drogas duras


O estudo científico que seguiu mais de 4000 consumidores de canábis na Califórnia entre 2001 e 2007 deu a machadada final na teoria dos charros como "porta de entrada" para outras drogas. Afinal, o consumo de canábis ao longo da vida levou a maioria dos inquiridos a reduzir o consumo de álcool, tabaco e outras drogas duras .

Este é o primeiro estudo em larga escala à população que se candidata aos programas de canábis medicinal na Califórnia. E revela que se trata de uma população absolutamente normal, e com qualificações académicas e empregos que se enquadram na média da população norte-americana.


Todos os inquiridos são consumidores regulares (boa parte fuma canábis diariamente), mas quando comparam o seu nível actual de consumo de álcool com o que tinham no passado, 10% dizem ser abstémios e os restantes 90% afirmam ter cortado o consumo pela metade.


Estudo -

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Aumento da potência da canábis é "mito urbano", diz OEDT

O Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência escolheu o dia internacional contra o abuso e o tráfico ilegal de drogas para lançar uma monografia científica de referência sobre a canábis. O OEDT vem contrariar os "relatórios alarmistas" que referiam que os charros de hoje são mais fortes se comparados com os que se fumavam nos anos 70, ao afirmar que a potência da canábis vendida na UE estabilizou na última década.


A agência da UE escolheu o estudo aprofundado da canábis para assinalar este dia e lançou a monografia "Uma leitura sobre a cannabis: questões globais e experiências locais — Perspectivas sobre as controvérsias a respeito da cannabis, o seu tratamento e a sua regulamentação na Europa ." O objectivo do OEDT é proporcionar informações que contrariem as informações "enganadoras" que intoxicam a opinião pública.

São mais de 700 páginas que abarcam várias secções, da evolução política, legislativa, económica e social à prevenção, ao tratamento e cuidados de saúde. Um trabalho exaustivo que terá muitos interessados, se considerarmos que um em cada cinco europeus já consumiu canábis ou haxixe na vida e que, só no último mês, 13 milhões o fizeram em solo europeu.

“Embora a cannabis seja a droga ilícita mais consumida na Europa, pode também constituir um factor de grande controvérsia, dando origem a frequentes debates entre os responsáveis políticos, os cientistas, os investigadores, as autoridades responsáveis pela aplicação da lei, os profissionais desta área e os cidadãos. Consequentemente, o público vê-se diariamente confrontado com uma torrente de informações sobre a cannabis — algumas delas bem fundamentadas, outras promocionais e, por vezes, enganadoras. Esta monografia foi concebida como um guia fiável de referência sobre este assunto de carácter complexo, contribuindo deste modo para a investigação, o debate e a tomada de decisões políticas”, afirma o Director do OEDT, Wolfgang Götz.

A monografia analisa o regresso das políticas restritivas em relação ao consumo na última década, exemplificando com os casos da Holanda, Dinamarca, Itália, Luxemburgo e Reino Unido.

Sobre a divulgação de "estudos" que de tempos a tempos surgem na imprensa, associando o consumo de canábis aos mais variados efeitos na saúde do consumidor, o OEDT diz que “é prematuro retirar conclusões definitivas sobre diversos problemas de saúde de longa duração associados ao consumo de cannabis”, embora seja possível ligar o consumo de canábis a doenças respiratórias. O facto deste consumo ser muitas vezes associado ao álcool e ao tabaco dificulta mais ainda a identificação dos efeitos, tal como o facto dos principais consumidores serem jovens saudáveis.

“Esta monografia realça o facto de a cannabis não ser apenas uma substância estática, imutável, mas sim um produto dinâmico, sujeito a uma evolução gradual no que respeita à potência, à prevalência e às técnicas de cultivo. Embora os padrões de consumo continuem a ser, em grande parte, ocasionais, existem indícios de um consumo mais intensivo que suscitam questões sobre futuros problemas sociais e de saúde”, destacou o presidente do Conselho de Administração do OEDT, Marcel Reimen.

A monografia destaca ainda as reservas manifestadas, sobretudo na Comissão da ONU sobre estupefacientes, em relação a abordagens mais tolerantes do fenómeno do consumo de drogas. Esta quinta-feira, num debate parlamentar sobre o tema, o deputado João Semedo lembrou que essa Comissão definiu uma estratégia na década de 90 assente nas políticas proibicionistas e que era intitulada "Um mundo livre de drogas em 2008". O rotundo fracasso do proibicionismo está bem evidente no título da própria estratégia, referiu o médico e deputado do Bloco de Esquerda.

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É urgente reclassificar as drogas, diz a Lancet


A revista britânica considerada uma das referências mundiais da medicina, The Lancet, publicou na última edição um estudo que defende novos critérios para a a classificação das drogas. O professor David Nutt, da Universidade de Bristol e autor deste estudo, quis saber como os especialistas classificariam vinte drogas diferentes se os critérios fossem três: o dano físico aos utilizadores, o potencial de habituação e o impacto do consumo na sociedade. A conclusão não surpreende os anti-proibicionistas: a canábis é menos nociva do que drogas legais como o álcool e do tabaco.

Analisadas as drogas e dadas as notas por parte de polícias, advogados, psiquiatras, entre outros conhecedores da matéria, a heroína e a cocaína foram consideradas as mais perigosas, seguidas dos barbitúricos, da metadona e do álcool, uma substância legal e tolerada socialmente. Outra droga legal, o tabaco, aparece nesta lista em nono lugar, acima da canábis, que está na 11ª posição e do ecstasy.


De facto, existe uma grande disparidade entre o sistema de classificação de drogas no Reino Unido (as mais perigosas estão na categoria A, as menos na categoria C) e os resultados deste estudo. Tirando a heroína e a cocaína (ambas classificadas pelo governo na categoria A) que aparecem também no topo da lista das mais perigosas na classificação segundo os critérios de Nutt, outras drogas, como o tabaco, o álcool, a ketamina e os solventes (que nem se encontram classificadas na lista governamental) são consideradas mais perigosas do que o LSD, o ecstasy ou a sua variante 4-MTA (todas na categoria A da lista oficial).




As conclusões do estudo apontam para a arbitrariedade completa de se excluir o álcool e o tabaco na lista governamental, ao mesmo tempo que aponta as discrepâncias nas classificações no que diz respeito às drogas psicadélicas. O preconceito deve ser substituído pela transparência e pelo debate racional para que a sociedade se aperceba dos riscos inerentes a utilização de drogas, conclui David Nutt.

relatorio:


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Canábis pode travar Alzheimer
24-Ago-2006


A revista médica Molecular Pharmaceutics publicou um estudo que aponta o princípio activo da canábis (o THC) como uma opção válida para o tratamento da doença de Alzheimer. Já se sabia, comprovado por estudos anteriores, que os efeitos da canábis, nomeadamente as suas propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias. Mas agora, os investigadores do Scripps Research Institute da California foram mais longe e descobriram que o THC tem resultados consideravelmente superiores que os medicamentos hoje utilizados para evitar a progressão da doença. Relatorio: (Atenção! por vezes é necessário actualizar a página várias vezes para o documento pdf aparecer...)




Só para finalizar um texto de um grande amigo meu:

Drogas: para além do bem e do mal


A discussão em torno das "drogas" e da forma como queremos lidar com elas é, geralmente, uma discussão minada e que se presta a todas as confusões. Penso que a pior forma de o fazermos é discutirmos os efeitos de cada substância particular, tomados como essência, para esgrimirmos argumentos ora apocalípticos ora românticos sobre as drogas de que gostamos mais ou menos (do café à heroína, dos tranquilizantes à ganza). A questão, de facto, não me parece ser essa.

Mais do que drogas leves ou duras, existem sobretudo consumos leves e duros, seja de que substância for. É certo, por exemplo, que a Organização Mundial de Saúde defende que a cannabis causa menos dependência física que o álcool ou o tabaco. Mas sabemos também que há quem seja agarrado aos charros - tal como existe gente que é dependente dos comprimidos para dormir.
A história da humanidade incluiu desde sempre o recurso a substâncias psicoactivas e os estados alterados de consciência fazem parte da nossa experiência desde tempos imemoriais. Acontece que cada sociedade vai socializando determinadas drogas, tornando o seu consumo enquadrado culturalmente e, por essa via, criando uma relação com algumas substâncias mais "natural", integrada nos usos e costumes. Assim, estabelecendo um convívio com o produto, generaliza-se um consumo mais consciente, condição indispensável para uma cultura dos limites que é, em si mesmo, o maior preventor do risco. Foi isso que, historicamente, aconteceu entre nós com o álcool ou, no caso dos magrebinos, com a cannabis. Claro que haverá sempre exageros, tal como a susceptibilidade de cada pessoa em relação a cada substância é diferenciada. De resto, também o facto de nós descontextualizarmos determinadas substâncias - sem lhes conhecermos os riscos e sem termos essa cultura da informação e da experiência - faz com que façamos consumos totalmente desajustados: no império czarista o café era ilegal e havia gente que bebia seis litros por dia... Imaginem-se as consequências...

Quando politicamente discutimos este tema, só um mentiroso poderá apresentar soluções milagrosas para "acabar com a droga". Na verdade, as drogas existem, pelo menos, desde que a humanidade existe. Portanto, a verdadeira questão é outra: como queremos nós, colectivamente enquanto sociedade, lidar com estas substâncias?

O proibicionismo, como forma de nos relacionarmos com as drogas, não tem sido solução e tem mesmo agravado o problema. Ele impede, desde logo, a criação de uma cultura dos limites, porque clandestiniza os consumos, censura a informação, esconde o problema, responde com a repressão. Mas traz outros problemas: o proibicionismo é a causa de um tráfico milionário que alimenta redes mafiosas e que faz com que uma substância tão "democratizada" como a marijuana (consumida por uma grande fatia da população, em particular jovens) gere percentagens de lucro na ordem dos 500%. Além disso, ele alimenta uma manipulação criminosa da qualidade das drogas (completamente descontrolada, por exemplo, no que diz respeito aos ácidos) e alimenta - em particular quando falamos de drogas como a heroína - a violência e criminalidade que estão associadas à dependência de uma substância que não se arranja a não ser roubando a família ou assaltando uns carros.

A situação em Portugal, por exemplo no que se refere à cannabis, é extremamente hipócrita: o consumo foi descriminalizado em 2001, mas a perseguição policial aos consumidores mantém-se, e o risco de se ser tomado por traficante é muito grande, já que a quantidade pela qual se pode ser acusado de tráfico é mínima. Ou seja, consumir não é crime, mas comprar e vender ou simplesmente autocultivar já o é, o que gera um enorme paradoxo. Todos conhecemos casos de jovens consumidores conscientes vítimas de certas brigadas policiais que, legitimadas pelo "combate à droga", actuam com violência, acima da lei e normalmente de forma discriminatória: é o pessoal mais pobre e os jovens dos bairros quem mais frequentemente é interpelado e leva uns encontrões à custa da ganza que traz no bolso.

Por tudo isto, mas ainda porque, em termos imediatos, legalizar a cannabis (que tem riscos iguais ou menores para a saúde pública do que outras substâncias legais, como o álcool ou o tabaco) significa um passo fundamental no combate ao problema de saúde pública que é a dependência de "drogas duras" (se quisermos, dos consumos que têm efeitos realmente despersonalizantes), porque permite separar mercados, a Marcha Global da Marijuana é uma iniciativa mais do que pertinente.

Juntando activistas do autocultivo, médicos, investigadores, juristas, estudantes, assistentes sociais, artistas, trabalhadores mais e menos precários numa causa comum, esta Marcha fará com que Lisboa e Porto se juntem no próximo dia 5 de Maio ao roteiro das cidades do mundo que exigem uma outra política para as drogas e que reclamam a legalização da marijuana. É mais do que tempo de pormos os preconceitos de lado e de tirarmos a cabeça da areia.

José Soeiro
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor JoaoMineiro em 13 Nov 2008, 18:24

São estas alguns dos muitos fundamentos da minha opinião
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Pombo em 13 Nov 2008, 21:13

Bem fundamentado, Mineiro!
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor corema em 19 Nov 2008, 17:05

O uso de drogas deve constituir um crime, porque:

Fazem mal à saúde
A Cannabis em grandes excessos pode provocar cancro, bem como esquizofrenia, o consumidor perde a ligação com o real, torna-se alheado de si mesmo. Além disso, o uso de drogas reduz a auto-estima e aumenta a hipótese de depressão. Pode provocar estados de alucinação e paranóia grave. Desenvolver fobias e distúrbios de pânico,...

Causam dependência
A Cannabis causa vício com uso frequente. Estatísticas indicam que até 20% dos consumidores de Cannabis ficam dependentes.

Incitam à violência
Na Holanda, 5 000 dos 25 000 dependentes de drogas são responsáveis por cerca de metade dos crimes leves. Na Inglaterra, eles respondem por 32% da actividade criminal.

As mais leves podem levar às mais pesadas
Quase todos os consumidores de drogas pesadas já consumiram Cannabis. O governo americano diz que fumar Cannabis aumenta em 56% a hipótese de consumo de outra droga.
Sem punição, o uso vai aumentarA Holanda liberou o uso da Cannabis e este subiu 400%. Nos Estados Unidos, o uso de álcool caiu 50% com a Lei Seca (1920-33) e só voltou ao nível anterior em 1970.

Causam prejuízo à sociedade
Consumidores de drogas utilizam mais recursos do sistema público de saúde e têm produtividade menor.
Pervertem quem as usa
O uso da droga transforma pessoas produtivas em indolentes, responsáveis em inconsequentes, cidadãos em párias.
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor mariafrancisca em 13 Jul 2009, 21:18

JoaoMineiro escreveu:
Hipocrita é estar-se na boa com o alcool e o tabaco e apotar-se o dedo a quem fuma charros, o alcool faz dez vezes pior, eu tenho em casa uma pessoa dependente de alcool e podem tera certeza que é mil vezes pior que uma pessoa que fuma charros, porque a cannabis dá menos dependencia do que o tabaco, porque leva menos.


Concordo bastante com isto que o João disse.

Eu também sou a favor da legalização.
Isto é das tais coisas que quer seja legal ou ilegal irá sempre existir
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Dahaka em 14 Jul 2009, 18:23

sim totalmente a favor
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor Laranja Mecânica em 23 Jul 2009, 22:30

Totalmente a favor
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Re: És a favor ou contra a legalização das drogas leves?

Mensagempor tytz em 26 Jul 2009, 18:25

a favor ...
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